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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Homem do Leme...


Desde que os bancos não naufraguem o suspeito timoneiro ruma a direito e não olha aos para o resto, os bancos e os banqueiros sim, a esses toda a tripulação está atenta e, mesmo no meio de urdiduras escuras, cabalas, nevoeiros e baixios próprios do estuário do Tejo, o barco vai navegando com o homem atado ao leme, com os ouvidos protegidos com cera, não vão cantos das sereias britânicas distraí-lo.
O suspeito timoneiro mais o espírito silencioso que o acompanha, não sabem para onde vão, julgam ver terra firme e são nuvens e miragens… Com elas enganam os passageiros que vão nesta barca da perdição rumo ao abismo, ouvindo silêncios e discursos inflamados sobre o rumo para que os dirigem, agora a nau catrineta tem um rumo, pouco importa qual seja, desde que o leme esteja assegurado e a barca de salvação chegue para eles e para os banqueiros, que são o sol das suas vidas, tanto pior se as bombas metem água em vez de a tirar, o que é preciso é vê-las a funcionar, mais ajuda para ali, mais esforços para acolá e a barca vai-se enchendo de água que apodrece com o bojo da nau… Para o suspeito timoneiro o que interessa é desmentir como boatos o que alguns passageiros vão constatando, que a barca de tão podre e por não ter qualquer rumo, flutua apressada para o destino da perdição, para a sua sombra esfíngica e silenciosa o importante é que estes vão casando e mantendo casamentos tão podres e cheios de água como o próprio casco onde seguem... O suspeito homem do leme, cuja licença de piloto é tão vergonhosamente suspeita como tudo o resto, já só vai atento aos temíveis corsários ingleses que não sabe se poderá enganar, o resto é certo, para ele e para os seus...