quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Querido Diário IV

Querido diário, hoje, até esta hora, nem foi um dia mau… apesar dos assaltos ocorridos hoje no país: um à estação dos CTT de Monte Belo, em Setúbal; aos postos de abastecimento da BP na via rápida da Costa de Caparica (IC21) e da Galp no Fogueteiro, concelho do Seixal e às dependências bancárias do Millennium BCP da Tapada das Mercês e do Santander Totta de São João das Lampas, ambas no concelho de Sintra, e do Banif na alta de Lisboa, não mataram nem feriram gravemente ninguém. Ainda não ouvi o discurso do senhor importante, porém outro, também importante, mas não tanto, veio dizer que se tem é mediatizado muito o assunto, pelo que até pode ser prejudicial para o país… Por isso, nem a ti hoje confesso que acho que a criminalidade violenta está a aumentar em Portugal na medida da dureza da vida, ou seja, muito…
Depois, já tinha avisado sobre estes tipos que sigo ab initio... é só cheirarem os primeiros posts... resolve-se a tiro à vista... são piores que os outros, deviam fazer uma cura com o João Jardim, com o Berluscomi e companhia...

2 comentários:

Pedro, Pai da Ana Beatriz Serra disse...

Não me parecem propostas radicais. Talvez o deixem de ser para si quando for uma vitima a serio.

quink644 disse...

Meu caro Pedro, Pai da Ana Beatriz Serra:
Confesso que desconheço absolutamente tudo o que a si e à sua filha diga respeito. Efectuei algumas pesquisas e não consegui adiantar nada. No entanto, referindo-me ao que eu disse e ao que eu penso, dir-lhe-ei:
1º É-me muito desagradável ver políticos a valerem-se do sofrimento alheio para angariarem votos e foi isso que, antes de mais, me pareceu.
2º Está demonstrado que não é o agravamento das penas que consegue reduzir a criminalidade, pese embora compreenda perfeitamente que há-de ser difícil entender certas coisas e, eu próprio, não concordo nem com o nosso sistema judicial, nem com o próprio código penal. Porém, como muitas vezes o tenho dito, tenho a sorte de não ter que os escrever, já que entendo que a lei deve ser o mais universal possível e isso é extremamente difícil de fazer. Mas, veja o meu raciocínio consubstanciado num exemplo recente… um etarra foi condenado a 3000 anos de prisão pela morte de nem sei quantas pessoas… cumpriu 21. Pergunto, adianta condenar a 3000 se é para cumprir 21? Não me parece, pelo que o cúmulo jurídico vê esvaziado o seu sentido… Logo, e essas pessoas sabem-no bem, não é por aí que se combate a criminalidade, é apenas, a meu ver, um péssimo aproveitamento político de um problema real e extremamente complexo.
3º Se ler todos os meus posts e escritos, não verá um único em que defenda que a autoridade deva ser permissiva e, pelo contrário, penso que deveriam ser muito mais apoiados e protegidos. A nossa legislação, reiterada há pouquíssimo tempo por quem manda, é extremamente dúbia, o uso de armas de fogo, por parte das autoridades, restringe-se a situações em que esteja em causa a segurança da vida de terceiros ou do próprio agente, ora se algum agente tiver que abordar alguém com a arma no coldre, parte numa desvantagem inultrapassável que lhe será impossível, em caso de agressão premeditada, superar ou igualar. Depois, os efectivos são poucos e os juízes e procuradores também o que, somado a uma lei demasiado permissiva, dá asneira… Se somarmos a isto a obsessão com evitar que se gaste dinheiro nos estabelecimentos prisionais a mistura é explosiva. Isto é Portugal…
4º No meio disto tudo temos que zelar, e é nesse sentido o meu comentário, com o oposto da situação, da qual temos uma imagem razoável em outros países como, por exemplo, o Brasil, que é chegarmos ao ponto em que já não sabemos quem são os criminosos ou que é mais criminoso, se a polícia se os ladrões… Nessa medida, e supondo que a sua filha foi vítima de seja o que for, o que desde já lamento, creio que todos se sentiriam pior se o autor do crime fosse um agente da autoridade, com cobertura legal para o fazer…
Foram estas as razões principais que me levaram a tecer o comentário que leu. Espero ter contribuído para o esclarecimento de alguma dúvida a meu respeito, às minhas críticas e ao que eu penso. Se entender não serem suficientes, por favor, responda-me que eu respondo-lhe logo que possa.
Cordialmente,
quink644