quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Cunhas e meninos ricos...




Currículos estrangeiros
Ministério sabia que subida das notas a alunos do 12.º era ilegal

Sabia, mas nada fez… olhou para o lado, assobiou como nada fosse e ala que é cardume… Pensamos que seria de todo o interesse averiguar as ligações, normalmente designadas por cunhas, que estes colégios conseguiram obter… e, sobretudo, quem delas beneficiou… Até porque é fácil, “Estes planos de estudo existem numa dúzia de escolas em Portugal, como o St. Julian, o Frank Carlucci American International School of Lisbon ou o Colégio Planalto.”
Isso sim seria um trabalho de jornalista…e, levantada a lebre,
para a polícia judiciária investigar… Mas em Portugal o mais certo é ir para o lixo, como de costume, sem haver sido responsabilizado ninguém.

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8 comentários:

Zé Povinho disse...

O Arquive-se continua a ser regra nestas trapalhadas que envolvem "os indivíduos de prestígio" (?), só mesmo a velhinha que "fane" uma maçã ou ou um pacote de arroz é que está à pega com a "justiça implacável" (?).
A dos Pedrosos é mesmo uma excepção, mas quem sabe, ainda virá alguém a anular esta decisão.
Abraço do Zé

Arménio Pereira disse...

Que o Governo se cale, já se esperava. Que a maioria da comunicação social, subserviente e conivente, nada diga, já se tornou norma. Mas as forças políticas, onde estão elas, Deus meu? (Peço desculpa por invocar o Seu Nome em vão.) Sobretudo as da "oposição" parlamentar, que por tudo e por nada costumam exigir a demissão dos governantes. O que é que se passa? Não surpreende que a cáfila do PSD, coveira deste País (em tandem com o PS e outros) e enlameada até ao pescoço em esquemas desta jaez, permaneça muda e queda. Mas e o PCP e satélites? E os Bloquistas? Também terão interesses no "grupo dos 200"? Erga-se, senhor Louçã, ou afunde-se com a ralé...

Fernando Pena disse...

A notícia publicada e os comentários ligeiros que se seguiram parecem ignorar o que é, efectivamente, o Bacharelato Internacional. Na verdade, os alunos são sujeitos a um currículo que é muito mais exigente em conteúdos, competências e avaliação. Em muitas disciplinas, os programas cobrem matérias que, em Portugal, só são leccionadas na faculdade. As notas finais são resultado de um rigoroso processo de avaliação que, na maioria dos casos, envolve três (!) exames escritos corrigidos no estrangeiro. Para terem diploma, além das disciplinas, os alunos têm de completar um programa que envolve serviço à comunidade, um curso de Teoria do Conhecimento e um trabalho de investigação que se assemelha a uma pequena tese universitária.

O Diploma do Bacharelato Internacional é reconhecido pelas grandes universidades internacionais (e.g. Harvard, Princeton, Yale, MIT) como o melhor currículo secundário do mundo (cfr. http://www.ibo.org). Muitas delas, têm condições de acesso especiais para estes alunos, dada a qualidade que lhes reconhecem.

Há uns tempos contaram-me uma pequena parábola. Um pescador apanhava caranguejos, que ia guardando num balde não tapado. Alguém lhe perguntou se não tinha medo que eles fugissem. «Não!», respondeu ele, «São caranguejos portugueses. Sempre que um começa a subir, os outros puxam-no logo para baixo».

A notícia e os comentários deixam-me triste. Aqueles que são os alunos acarinhados noutros países são, graças ao pacóvio provincianismo português, colocados em desvantagem no acesso às nossas universidades, em concorrência com colegas sujeitos a currículos laxistas e com notas de frequência oferecidas por professores generosos.

E não, não é uma elite de meninos ricos e corruptos. Alguns dos senhores fizeram comentários profundamente errados e, definitivamente, não sabem do que falam.

O artigo é de profunda infelicidade e injustiça. É o espelho de um país medíocre e mesquinho que insiste em permanecer na cauda da Europa, agarrado a preconceitos ideológicos anacrónicos.

arménio pereira disse...

A qualidade do International Baccalaureate (IB) não foi aqui colocada em causa, tal como não o foi - até ver,- a idoneidade dos estabelecimentos de ensino que em Portugal o adoptam. O mérito dos alunos que atingiram os objectivos preconizados pelo IB só pode ser enaltecido. Felizmente, não é nenhum destes aspectos que constitui o cerne da polémica. E entretanto, já outra relevante questão se impõe: Esperar que se cumpram as leis contituirá um "... espelho de um país medíocre e mesquinho que insiste em permanecer na cauda da Europa, agarrado a preconceitos ideológicos anacrónicos"?

quink644 disse...

Quando penso que as questões são sérias, não gosto de deixar ninguém sem resposta e parece-me ser este o caso. Assim vou esclarecer melhor como vejo as coisas... 1º quer a DGIDC, responsável pela emissão de certificados de equivalência ao 12.º a alunos que concluíram currículos estrangeiros, quer a Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) sabiam que estavam a ser dadas notas ao abrigo de uma eventual alteração legislativa, mais favorável para os alunos, que ainda não tinha acontecido. Logo sabiam que estavam a prevaricar na aplicação da lei.
2º A lei tem que ser igual para todos, sem desmerecer os cursos em questão ou valorizar o nosso modelo educativo, com o qual estou longe de concordar...
3º Como em todas as circunstâncias, se há dúvidas deve-se investigar... foi o que eu sugeri. Não me passa pelo estreito que alunos possam ser benificiados por andarem em escolas onde se pagam verdadeiras fortunas, relativamente aos outros que as não pagam, desde logo, porque não podem.
4º Se esses curriculos são tão bons, então peçam equivalência superior e candidatem-se a mudanças de curso. Têm é que obedecer aos critérios legais em vigor.
5º Se esses diplomas são reconhecidos nas grandes universidades estrangeiras, onde também se pagam balúrdios, os jovens e sortudos alunos de tão distintos cursos que vão para lá terminarem ou continuarem os seus percursos lectivos. Dinheiro é, certamente, coisas que não faltará aos seus papás... Agora em Roma sejam romanos ou sujeitem-se... já não digo às consequências, porque têm as costas bem quentes, mas, pelo menos às críticas.

Fernando Pena disse...

Se calhar não lhe passa pela cabeça que não vão estudar para o estrangeiro precisamente porque não são meninos ricos e filhos de pais influentes...

Quanto ao sentido da minha afirmação «O artigo é de profunda infelicidade e injustiça. É o espelho de um país medíocre e mesquinho que insiste em permanecer na cauda da Europa, agarrado a preconceitos ideológicos anacrónicos.», claro que não se prende com o cumprimento da lei, mas com a insuficiência do trabalho jornalístico, que permitiu interpretações maliciosas e enviesadas.

De facto, não há nenhuma tese conspirativa, mas apenas trapalhada burocrática lamentável e evitável.

quink644 disse...

Estou em crer que se ler a continuação deste post a sua questão fica respondida... A questão é que houve qualquer coisa de muito grave em dois ministérios numa fase decisiva e, como sempre, não haverá culpados...

mc4 disse...

Vejam até onde chega o "polvo"... tudo se faz para abafar este escandalo...

http://www.exames.org/forum/viewtopic.php?f=2&t=24652&st=0&sk=t&sd=a&start=30