domingo, 24 de maio de 2009

As coisas de Espinho e os espinhos da coisa...


A estúpida questão do caso de Espinho teria de servir de exemplo para o bem ou para o mal… Como é evidente, a profunda tacanhez e boçalidade portuguesas escolheram a segunda hipótese.
Duas possibilidades estavam em jogo:
1ª Salvaguardar o interesse do país e dar um sinal claríssimo de que se devem cumprir as normas de um estado de direito e que, portanto, não se pode andar a gravar às escondidas seja o que for e, muito menos, começar a encorajá-lo desde os 12 anos, quanto mais não seja porque é crime...
2ª Atamancar e distorcer tudo, fazer tábua rasa da lei e do estado de direito e incentivar duas crianças, evidentemente influenciadas por duas mães idiotas que vêm televisão a mais e não conseguem discernir entre as suas guerrinhas pessoais e o interesse efectivo da educação dos seus educandos, a violar a lei e a serem premiadas por isso. Pouco falta para se transformarem nos novos pastorinhos do século XXI… Pouco importa se isto abre um precedente gravíssimo que multiplicará, de uma forma incalculável, a repetição desse acto infame, dando mais uma machadada letal no ensino público português.
Das muitas vozes de burro que se ergueram aos céus, algumas das quais me mereciam bastante consideração, leio hoje a crónica do homem que nos confundiu com a sua família e percebo que, desde o início, estava certo. Para esta criatura, justiça é não cumpri a lei e deixar ao arbítrio de crianças decisões que podem subverter todo um sistema educativo, que lhes devia permitir serem educadas no sentido de não se poderem transformar em seres abjectos como aquele que, ciclicamente, suja papel com as suas asneiras e, pior do que isso, as dá a ler a milhares de pessoas.
Não imagino o desfecho do caso que, ab initio, me parece muito mal contado e envolto na mais ignóbil névoa social, mas isso pouco me importa. Preocupa-me mais o todo do que a parte, no caso, o gravíssimo precedente que se abre e que extravasará o pequeno mundo de uma insignificante escola de província, para se alastrar até não sei onde, com as consequentes e nefastas implicações.
Tudo porque, de facto, uma professora esteve muito mal, ao aceitar ouvir e dar crédito a uma gravação ilegal, e sujeita a todas as manipulações e mais uma, desde logo qualquer professor compreende que o silêncio sepulcral da turma significa o conhecimento e cumplicidade da coisa, em vez de, logo à partida, ter rejeitado ser cúmplice numa ilegalidade, cumprir a lei, punir os autores da gravação, procurar chamar à responsabilidade as instigadoras desse acto ilegal e fazer-lhes ver que existem formas e procedimentos legais, instituídos e que ao longo de muitos anos funcionaram perfeitamente, no presente caso, um inquérito para se averiguar o ocorrido. Legalmente, ouvindo ambas as partes e recorrendo às provas legais, testemunhos orais, depoimentos e audições dos visados…
Quanto ao homem que nos confundiu com a sua família nada acrescento, é normal os artistas de circo fazerem as suas pantominices e só é pena que os jornalistas não sejam, como ele sugere, avaliados anualmente… Veríamos se escaparia à primeira…

11 comentários:

Anónimo disse...

não sei se notaram, mas nas primeiras notícias da SIC e do Público sobre o incidente, era explicitado que foi com o conhecimento e consentimento da pres. do cons. executivo do estaberlecimento que a criança fez a tal gravação... caso isto seja verdade, ainda torna as coisas mais sórdidas!
Manuel Baptista

Anónimo disse...

Sim, as 1ºs notícias indicavam o CE como conivente. CE PS recém empossado. A Professora agora a arder na fogueira não é PS!

Anónimo disse...

Eh pá... se eu digo a palavra "conivente" numa aula, estou tramado. Uma das câmaras ou gravadores apontados vão servir para me acusar de ter dito "cona e vento"! E lá vou eu para a rua!

Reparem aliás que a gravação audio é acompanhada de gravação vídeo do arquivo das duas meninas filhas das mães.

Kruzes Kanhoto disse...

O que a professorinha disse, referindo-se à progenitora de uma aluna, se fosse numa escola da Damaia teria levado uma carga de porrada! Com ou sem gravação da conversa. De resto o discurso da senhora é simplesmente nojento. E não, não estou a pensar na parte em que ela fala de sexo, basta recordar a forma como ela se acha superior à mãe da aluna. É que eu, que também tenho apenas o 12º ano, não trato gente daquela - nem de outra, diga-se - por senhora doutora.

quink644 disse...

Também não deve tratar por professorinha... Ou conhece-a? É pequenina? Eu não a conheço...
Quanto aos tratamentos sempre me estive nas tintas para isso. À excepção dos alunos, que me tratam pelo primeiro nome próprio que é Setôr, é-me absolutamente indiferente...

Vesgo disse...

Haja sensatez para promover o defensável e repudiar o indefensável.
O Post está bem escrito e este facto, em si, é o mais relevante.
Na minha opinião, a Senhora Professora Doutora esteve de facto muito mal. Apoiá-la só por ser Senhora Professora Doutora, fica muitíssimo mal.
Quanto aos Senhores que têm como nomes próprios Professores, Doutores, Drs., Engenheiros Arquitectos, etc., quero só salientar que se encontram em maus lençóis: é que num curtíssimo espaço de tempo vão ter a esmagadora maioria dos Portugueses com o mesmo nome! E vai ser cá uma confusão…
Abraço,
P.S.) Pensei, erroneamente que, em 2009, esta questão dos nomes próprios já tivesse sido ultrapassada na tacanha sociedade Portuguesa. Pelos vistos, ainda não…

Hurtiga disse...

Vesgo, alvez seja o seu maldito problema da visão...

Vesgo disse...

Cara Hurtiga,
Conseguir ter duas perspectivas em relação a um mesmo facto social, não é uma maldição:
é um dom…

Hurtiga disse...

Qual dom qual carapuça! Tudo desfocado...

Vesgo disse...

Como "não há machado que corte a raiz ao pensamento", a Hurtiga fica com a sua visão focada em relação a tudo o que a rodeia e eu consolo-me com o meu olhar desfocado em relação ao que observo, pode ser?
É que, além de Vesgo, repudio fundamentalismos que, contrariamente ao que é comummente aceite, não são meramente exclusivos de sociedades remotas…

Hurtiga disse...

Vesgo mas assertivo e convincente!
:)D'acordo!