terça-feira, 20 de abril de 2010

Para Quando o Sindicato dos Sindicalistas?


Infelizmente voltei a ouvir o discurso gasto e pegajoso dos sindicalistas… Não, não foi um acto de puro masoquismo, foi um acaso resultante do facto de ter expressado uma opinião, a minha, de que o Mário Nogueira falhou em toda a linha tendo apostado, jogado e perdido tudo, mais uma vez ao assinar mais um famigerado e insondável memorando de entendimento. O resultado é simples: ficou queimado para os professores. Se a primeira ainda o perdoaram a segunda e a eventualidade de uma terceira, quarta e quantas forem preciso, foi a gota de água que fez transbordar o copo.
Curiosamente o discurso que ouvi é fantástico e sempre o mesmo, quem não é sindicalizado não existe e deve remeter-se ao silêncio vestal próprio dos seres inexistentes. As decisões e apreciações serão feitas pelas luminárias pensantes que são os sindicalistas e em local próprio, que é onde todos se juntam para repetirem a oração que lhes chegou por email ou pelo ouvido.

Primeira farsa: os sindicalistas, por intermédio dos delegados sindicais “eleitos” nas escolas, têm conhecimento do que se passa nas mesmas. Falso. Os sindicalistas são fósseis que há muito perderam o pulsar daqueles que dizem representar e de cujo trabalho retiram o seu sustento, com a agravante de ainda desdenharem deles. Meus caros, claramente vos digo: não são meus colegas, eu sou professor e vocês são sindicalistas. Nós tentamos lutar pelos nossos direitos e dignidade e vós pelos vossos direitos, abdicando da dignidade que nem têm nem desejam ter.

Segunda farsa: são os sindicatos que organizam e lutam pelos direitos dos trabalhadores, neste caso professores. Falso. As manifestações de professores que organizam são uma vergonha confrangedora. Arregimentam uns milhares de criaturas a quem devem oferecer um copo de vinho e uma sandes de courato e dizem que são professores… Claro que, a maior parte das vezes, a verdade é como o azeite e basta um microfone colocado à frente de uma alimária dessas para fazer corar de vergonha qualquer verdadeiro professor… Os professores, em geral, sabem falar, essas criaturas não.

Terceira farsa: os sindicatos são representativos dos professores, tendo, por exemplo a Fenprof 60 000 sócios (o número chegou-me por aqui). Falso ou muito estranho. É que eu conheço centenas de professores e os sindicalizados contam-se pelos dedos (se usar também os dos pés). São uma vintena de fósseis preocupados com os seus horários, para o melhor desempenho da sua actividade sindical (a sua vidinha) e das suas regalias (reduções e outras porcarias do género…). Os professores, na sua maioria, já não se sindicalizam e os que o foram estão a deixar de o ser a um ritmo proporcional aos desaires que têm sofrido, fruto da incompetência e oportunismo desses mesmos sindicalistas que se dizem representá-los, mas que na verdade apenas olham para os seus botões e se estão marimbando para os colegas, desde logo, como já procurei explicar, porque há muito já o não são.

Soluções:

os sindicalistas deveriam passar a ser obrigados a exercerem as suas profissões no mínimo de três em três anos… A três anos no sindicato seguia-se, pelo menos, um na escola. Para não se esquecerem…

Teriam que ser escolhidos proporcionalmente aos diversos níveis de ensino. X do básico, y do 2º ciclo, Z do secundário e por aí fora. Olha-se para os painéis de sindicalistas e o que é que se vê? Educadores de infância, primários e destes convertidos em professores de Educação especial… Ora, nada tenho contra as ESEs, só que estou farto de ter que aturar mentecaptos a arrogarem-se no direito de falarem por mim, três quartos desses indivíduos falam da trapalhada da credenciação do Sócrates e esquecem-se que as suas habilitações são muito semelhantes… Provas de acesso ou de aferição de conhecimentos? D’asse! Pois, pudera…

Sugestão: os sindicalistas têm-se sentido muito maltratados pelos professores e, sobretudo, pelos escritores de blogues a quem, como sempre de forma paupérrima de imaginação e inteligência, chamam activistas de sofá,  temíveis combatentes da pantalha ou coisas desse tipo. Estou de acordo, pelo que creio que devem formar, quanto antes, um sindicato de sindicalistas para melhor defenderem os seus interesses.

3 comentários:

Anónimo disse...

Concordo!

joão boaventura disse...

Os Sindicatos a nível mundial estão a passar por uma crise de descrédito.

Algumas, como no Brasil, estão a transformar-se em empresas, a prestar serviços de apoio em várias frentes.

Não é solução, mas os Sindicatos tiveram a sua razão de ser no despontar da era industrial, e adequaram-se-lhe.

Depois, tomaram o modelo, sem adequações, para outros tipos de actividades não industriais: direito, ensino,... e o processo claudicou.

A nível mundial está reconhecido o fracasso, dentro da própria estrutura, e estão a pensar na sua remodelação.

Em Portugal, como de hábito, estão à espera que lá fora resolvam, para poderem copiar, porque, pensar, dá muito trabalho.

Dioniso disse...

Não poderia estar mais de acordo. Não me revejo, e esse é o caso de uma grande maioria de professores, nas ideias e nas práticas dos sindicalistas. E, como diz, era muito fácil mudar o statu quo: não se podiam eternizar na boa e descansada função de sindicalistas, de testas de fero de partidos políticos, na fuga à sala de aulas.