"É MUITO DIFÍCIL QUE NÃO SENDO HONRADOS OS PRINCIPAIS CIDADÃOS DE UM ESTADO, OS OUTROS QUEIRAM SER HOMENS DE BEM; QUE AQUELES ENGANEM E ESTES SE CONFORMEM COM SER ENGANADOS." MONTESQUIEU, De l'Esprit des Lois,I:III,5
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Hipócrato & Ciª
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
De Que Te Ris?
Considerando que, nos termos do disposto no Decreto -Lei n.º 331/88,
de 27 de Setembro, pode ser atribuído um subsídio de residência aos
titulares do cargo de director -geral e de outros expressamente equiparados,
à data da nomeação no local onde se encontre sedeado o respectivo
organismo;
Considerando que o Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura
Silva, presidente do Conselho Científico para a Avaliação de Professores,
lugar expressamente equiparado a director -geral, tem a sua residência
permanente em Aveiro:
Assim, nos termos do disposto no artigo 2.º do Decreto -Lei n.º 331/88,
de 27 de Setembro, determina -se o seguinte:
1 — É atribuído ao presidente do Conselho Científico para a Avaliação
de Professores, Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva, um
subsídio mensal de residência no montante de € 941,25, a suportar pelo
orçamento da Secretaria -Geral do Ministério da Educação e actualizável
nos termos da portaria de revisão anual das tabelas de ajudas de custo.
2 — O presente despacho produz efeitos desde 1 de Novembro de
2008.
12 de Fevereiro de 2009. — O Ministro de Estado e das Finanças,
Fernando Teixeira dos Santos. — Pela Ministra da Educação, Jorge
Miguel de Melo Viana Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da
Educação.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ri Melhor Quem Ri no Fim... Ouviste, Ó Palhaço???
terça-feira, 20 de abril de 2010
Para Quando o Sindicato dos Sindicalistas?
sexta-feira, 19 de março de 2010
Vómito Albino Explicado...
O vómito albino regressou em grande… Depois de ouvir as palermices que voltou a bolçar lembrei-me de dar umas pequenas achegas. Assim, a escola tem as mais diversas soluções e deve contratualizar com os alunos que ultrapassem o limite de faltas e/ou sejam suspensos. Algumas das medidas possíveis:
*Aluno que bata num professor – ficar a servir cafezinhos no bar de professores, caso ainda os haja, ou, na falta dele, ficar encarregue de verificar o cumprimento do horário dos professores.
*Aluno que bata noutro(s) aluno(s) – passar a segurança da escola, devendo para melhor eficácia ter o poder de nomear os seus ajudantes dentro do seu grupo de amizades mais próximas.
*Aluno que falte às aulas porque, por pura e simplesmente, não quer lá ir – deve ser colocado como porteiro ficando responsável pela a abertura das portas da escola ao primeiro tempo da manhã.
*Aluno que seja suspenso por vandalismo – ser colocado no economato da escola.
*Aluno que tenha um elevado número de faltas justificadas – deve ser colocado no registo das faltas dos outros alunos.
*Aluno que tenha mau aproveitamento – por ordem de mérito deve chefiar e integrar o conselho pedagógico, com poderes especiais para a proceder à supervisão e alteração dos programas e seu ministério.
*** Dão-se alvíssaras a quem descobrir o melhor dos melhores para o enviar para o lugar do pai dos pais.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Depois de uma ida ao Parlamento.

Revejo a minha primeira ida ao Parlamento, como uma tela acinzentada num lusco-fusco da imaginação.
Nesse dia, poucos deputados compareceram na Câmara. Eu via-os de lado, e de cima. Logo me apareceu o anfiteatro, com as filas concêntricas das escrivaninhas e as linhas concêntricas dos seus degraus, uma série de costeletas depois de servidas, mostrando pendentes aqui e além uns pedaços de carne não esburgada, que seriam os ilustres Pais da Pátria, a lembrarem no todo da sua atitude a agonia de uma ceia de carnaval, às primeiras horas do amanhecer. Erguia-se do fundo daquela modorra, por sobre o livor das paredes da sala – o vário rumor das conversações. A galeria dos espectadores, em cima, vizinha do tecto, dominava o recinto dos representantes com as bancadas curvas quase vazias, assim como o sector de praça de touros antes de os lugares se começarem a encher. Nos deputados, nenhuma compostura no vestuário, nem de atitudes, nem de expressão. Na imagem brumosa que me ficou da Câmara, destaca-se um vulto de sobretudo alvadio, todo espapado sobre o seu banco, com a expressão de tédio de um borguista mole, extenuado, exangue, no morrer sonolento de alguma orgia. De perna estendida e com um ar de enjoo, encara de pálpebras semicerradas os seus colegas legisladores, dos quais alguns se mantêm sentados, outros em pé ou deambulando, muitos a falar do que lhes apetece e a abafar a voz do orador que ora, – e que ninguém ouve, nem quer ouvir, nem se sabe onde está, nem o que é que nos diz. Ao pé de mim um herói da Flandres relembra-me a página de Oliveira Martins onde paira a majestade do Senado romano, o terror religioso que inspirou ao Gaulês… Ante a impressão dessa cena histórica, senti esfumar-se a que tinha ali; e pareceu-me salientar-se sobre toda a Câmara o disco alvacento do relógio da sala, com os negros ponteiros e os números negros, todo ele nitidez, – a contar as horas que nos estavam levando (a nós, àquela entrudada, ao país misérrimo) para um destino incógnito em que não pensa alguém… Vivo, resplandecente, inexorável, nítido, o grande relógio de ponteiros negros, dominando a Câmara, é a única coisa regular e certa no meio da relaxação de tudo mais…
Nisto foi dada a palavra a um novo orador. Levanta-se um corpo, desequilibrado e mole; desce, cambaleando, pelos degraus em círculo; cambaleando se rebola para o interior da Câmara, de braço estendido como se levasse um copo: e ali permanece gaguejando frases diante da tribuna dos senhores ministros. Alguém segredou-me:
– Não parece estar bêbado o homenzinho? Não parece que está?
Pareceu-me também. Disseram-me depois que na realidade o estava. Que era sempre assim.
O Homem-das-Ideias extravagantes leu essas linhas de impressões melancólicas, que publiquei na Seara há mais de três anos:
– Lá vi, prorrompeu facundo. Lá vi! Tem toda a razão. Mas o diabo é dizê-lo, percebeu você? O leitor é simplista, e inclina-se logo para a tirania. Ou o que está, ou a tirania: são as únicas soluções que ele sabe ver. E percebe porquê? Porque nenhuma delas o obriga a pensar. Como convencê-lo de que é necessário pensar? Eis aí o problema. Diga-me você o que responde a isto. Sou todo ouvidos… Mas espere; não me interrompa; sei o remédio que preconiza: deseja a reforma do parlamentarismo, com a da economia e a da educação…
Oscilou a cabeça, levantou os sobrolhos, meditou uns segundos. E logo depois:
– Sim, não digo que não. Mas olhe: isso – sabe? – exige num português. Bem sei; dirá que se os políticos se não convencem de que devem reformar o parlamentarismo dando-lhe uma organização apertada e estrita, que dificulte os abusos de que nos queixamos; que se nós não sabemos congregar esforços e suscitar uma corrente de opinião enérgica que leve os políticos para o bom caminho: nesse caso… Seja o Patriota-fascista que suba ao poleiro, para despertar cidadãos e reformar políticos. É uma hipótese como qualquer outra. Resignar-se aos erros e loucuras de hoje, somente pelo medo do que pode vir – não, não o faz você. Indigna-se, acusa, protesta, prega. Está certo: lá por isso não o censuro eu. Só falta saber (aqui entre nós) se somos capazes de acordar um dia de entender que se pode reformar ávida sem pensar nos problemas e sem persistir. Que dizia disto? Desejava saber o que responde você?... Espere: não diga nada; sei muito bem o que você responde. Responde-me assim: que se não somos capazes de verdadeiras ideias; que se não somos homens para persistir nesse caso… não há solução para a questão portuguesa… É certo. Concordo também. Resignemo-nos ao Fado: caia sobre nós o Patriota-fascista. E depois? Não se iluda. Muito republicano se acomodará a ele. Você já o disse, e em plena Câmara há republicanos para as horas difíceis, e há outros para as horas de regabofe. Ver-se-á quais são os das horas difíceis, quais são os das horas de regabofe. Perfeito. Porém, ficará uma massa de republicanos sinceros, mas perplexos, moles, medrosos sempre do que possa vir; de gente abúlica perante esta ideia. E depois? Se estes caem teremos de voltar à maluqueira antiga? Porque o Português – repare você – fala da política e do seu futuro como fala do tempo que poderá fazer; é alforrecam. O amigo ri-se? Pois é o que eu digo. Não ocorre á alforreca esta ideia simples: que a chuva e o vento não dependem de nós; mas que, se os cidadãos honestos souberem unir-se, organizando uma força de opinião enérgica – a política futura depende desse querer. Organizar uma força de opinião pública que imponha as reformas essenciais: eis o problema. Não será possível ter bons políticos sem cidadãos organizados que lhes dêem apoio. No homem político – como em todos nós – há duas forças que se combatem: uma que puxa para o bom caminho; outra que se submete às influências más. Na luta das duas, que pode fazer todo o bom cidadão? Favorecer a primeira contra a segunda, criar um ambiente favorável ao bem. A organização metódica da gente honesta é a única maneira de carrilar a política. Quando o cidadão se não faz Cidadão; quando não se incomoda pelo bem comum; quando não trabalha como cidadão, e abandona o político à acção dos piores – nesse caso, amigo, não há povo algum que se governe bem. Mas dêem-me uma dúzia de cidadãos enérgicos, organizados, sólidos, que creiam no poder da vontade humana e que tenham ideias sobre o que há a fazer, e então…então…
De repente, o Homem-das-ideias-extravagantes pareceu aluir-se com um derrear dos ombros, e tomou uma atitude fatigada e lúgubre:
– Aí é o mal. Parece-me às vezes que só no povo – na gente modesta – há hoje uma ideia do que seja querer. O português com letras – o que frequentou o liceu – é só alforreca. Esse vai á toa; desliza nas águas – abandonado, gelatinoso, mole – assistindo inerte ao evoluir dos mundos… É difícil, muito difícil, responde ele a tudo… Difícil!... Difícil!...
O nosso homem, aqui, contraiu os braços, electrizou-se; fez-se uma mola, retomou calor; e fuzilando os olhos:
– Difícil! Que argumento esse! Mas só o difícil é que é interessante, senhor Alforreca! O que é difícil é o que se deve fazer! Difícil? Tanto melhor! Precisamente o fácil é que não vale a pena: mas o difícil!... Por Palas! Quando virão a esta nossa terra os fortes amadores do que é difícil? Os que queiram silêncio, persistência, querer? Quando virão?
António Sérgio, EnsaiosIII
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A Sinistra deu lugar à...

quarta-feira, 6 de maio de 2009
Portugal e o Futuro Previsível...

Talvez seja tempo de parar para reflectir e, fazer isso, parece-me passar por conseguir conter o ímpeto de final de mandato, os últimos dias do consulado totalitário de Sócrates em que, parece rezar a história, apenas ele ficará a ganhar. Nessa medida os grandes investimentos do TGV e do novo aeroporto parecem-me obras faraónicas a realizar num país que em vez de faraós só tem múmias, secas e maltratadas, às quais já pouco ou nada se conseguirá espremer… Confesso que não sei como o fazer, mas parece-me certo que, a bem do nosso futuro próximo, isso tem que ser travado. Se os fins de mandato são sempre épocas negras, algo me diz que estes três de 2009 poderão ser trágicos e, mesmo, irremediáveis.
Na educação, o meu ramo de actividade pelo que o conheço bem, estes quatro anos representarão um retrocesso com consequências a pagar em tempo que não prevejo inferior a uma década. Já por aqui o escrevi que, por exemplo, os cursos do ensino profissional são uma verdadeira bomba ao retardador. O português vulgar, crédulo até limites aflitivos que raiam a imbecilidade, ouve umas baboseiras que mentes perversas lhe vendem e acredita piamente nelas. Porém, em breve, começará gradualmente a perceber que foi enganado, quando os seus filhos concluírem a frequência do 12ºano dos cursos profissionais e os pais verificarem que os módulos que o compõem ficaram, na sua maioria, por fazer… Os pais ainda não conseguiram perceber, sobretudo porque lhes foi ocultado e não têm conhecimentos para o compreenderem, que num sistema destes se passa o ano, única preocupação do encarregado de educação luso, mas que os módulos, isto é, a componente curricular que confere o diploma, fica por fazer, pelo que a seu tempo descobrirão que a ‘escola’ e os professores (é isso que pensarão) os andaram a enganar três anos… Então o meu filho passou sempre e não tem nada ou quase nada feito? Fui enganado! Ele chumbou sempre dizendo-me que tinha passado… E passou, só que sem nada concluído, pelo que se deverá ter que arrastar mais três anos para tentar fazer o que deveria ter feito e, levianamente, não fez…
Os resultados aparecerão nas estatísticas como se tenham vivido anos de ouro, mas a realidade é que, fora essa pintura dourada, se trata de chumbo puro e não de ouro…
Vai ser o bom e o bonito… Chamemos-lhe o TGV da educação, irá muito depressa mas deixará os passageiros pelo caminho e não levará a lugar nenhum, a não ser à miséria e ao desespero em que todo o resto da sociedade portuguesa estará mergulhada.






