segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nem terão...


TUDO O QUE SE DIGA FORA DISTO É CRIMINOSO E IRRESPONSÁVEL


José Sócrates anuncia novos projectos
Educação terá investimento de 400 milhões de euros nos próximos sete meses
30.07.2008 - 15h19 Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o Governo irá fazer um investimento de 400 milhões de euros na área da Educação nos próximos sete meses, nomeadamente na instalação de Internet em todas as salas de aulas."São 400 milhões de euros que vamos investir nas escola portuguesa", afirmou José Sócrates, durante a cerimónia de apresentação do "Computador Magalhães", o primeiro computador portátil com acesso à Internet que será fabricado em Portugal.Um dos projectos, adiantou, visa a instalação de Internet em todas as salas de aula. Além disso, irá ser aumentada a velocidade da banda larga nas escolas para um mínimo de 48 megabites por segundo.

Aqui há uns tempos, para quem não se lembra, Sócrates veio com mais uma das suas promessas, esta que se resume em cima e que podem ver aqui na sua totalidade… Bom, promessas à parte, começa a chegar a realidade, o ensino pré-escolar, em Portugal, é mais do que insuficiente. Ora, se tivermos em consideração que nessas contas não se incluiu a grande maioria das pessoas que nem sequer já o procura no público, tendo que recorrer, sem qualquer hipótese ao privado; temos o espelho da realidade nacional.
Tenho-me fartado de dizer aos quatro ventos que é muito mais importante o ensino obrigatório a partir dos 3 anos de idade do que o ensino obrigatório até ao 12º ano, ideia idiota, absurda e demagógica que só pode ser defendida por quem não percebe ou finge que não percebe nada do assunto. Porquê? Porque o processo de socialização infantil tem de começar pelo menos aos 3 anos de idade, com a imposição de regras, o contacto com os pares, com uma realidade extra familiar, etc, etc, etc, onde as crianças são iniciadas no desenvolvimento das suas competências sócio-cognitivas.
Por outro lado, a imposição do 12º ano obrigatório é completamente absurdo, porquanto: em 1º lugar, há muitos indivíduos que não têm capacidades intelectuais para o concluir (excepto nos CNOs), 2º há outros tantos que, pura e simplesmente não querem estudar mais do que o 9º ano e, se há coisa impossível de fazer, é ensinar a quem não quer aprender, 3º é um contra-senso porque aos 18 anos os portugueses atingem a maioridade pelo que, legalmente, não podem ser obrigados a frequentar a escola, 4º porque alunos forçados a frequentar a escola apenas vão permanecer dentro das aulas e não estudar, impossibilitando um ambiente aceitável para os que querem, efectivamente, estudar o fazerem com o ambiente e tranquilidade necessárias, 5º terão razão se não se comportarem da melhor forma, já que, de facto, estão ali obrigados e já não o deviam estar, ora sabendo nós os problemas que já existem nas escolas, imaginemo-las integrando alunos de 26 ou 28 anos a terem de cumprir a pena de fazer o 12º Ano… Poderia estar aqui a colocar razões até amanhã, mas penso que só estas vão chegando…

8 comentários:

Zé Povinho disse...

Na escola faltam muitas coisas, como por exemplo boas condições nas salas de aula, ginásios apetrechados, laboratórios, etc.
Os computadores vão ser uma negociata, e foram mais um produto de propaganda, copiado do que já existe noutros lados.
Estabilidade e condições no ensino são uma necessidade premente.
Abraço do Zé

e-ko disse...

ó pá, tens uma porcaria qualquer duma aplicação, que se lança cada vez que abro as cx de correio e lá me aparece o bravenet!

bom, ora aqui está um assunto importante e interessante. é a partir daqui que se desenvolvem competências de várias ordens e predisposições para aprender muita coisa. sem este "ensino" fundamental, bem podemos continuar a marcar passo. não as classes médias ou superiores, mas as outras, e é aqui que está o futuro, o desenvolviento e as possibilidades de lançar ascensores sociais no país.

devo confessar que começo a estar muito farta dos silêncios do público blogosférico e até já perdi a vontade de postar tanto nos meus blogs como no BM... também não é de admirar, com a frequência de um público blogosférico a atirar para a média alta, que na sua maioria pouco percebe, salvo raras excepções, do que se trama por quem nos trama! e não são só os nossos medíocres políticos que nos tramam!

perfeitamente de acordo quando dizes que o objectivo do 12º, ano sem o alicerce do ensino pré-primário emplementado e generalizado, é absurdo... porque uma percentagem importante de crianças não tendo acesso à socialização e aprendizazem de regras, para não falar do desenvolvimento de competências, estão condenadas ao insucesso escolar e mais tarde social e profissional.

põe este post no BM, é importante! vou pôr outro sobre um tema que me chocou, que tem a ver com o ensino, mas visto por um prisma de classe alta e que também deve ser divulgado e debatido.

abraço

antónio pina disse...

«é muito mais importante o ensino obrigatório a partir dos 3 anos de idade do que o ensino obrigatório até ao 12º ano».

Pequena observação: onde se lê ensino talvez seja melhor ler aprendizagem. Segunda pequena observação: cuidado com a palavra obrigatório... Sabes tão bem como eu ser ela filosoficamente escaldante. Uma pequena proposta alternativa: começar a responsabilizar os progenitores no que toca às obrigações civis não cumpridas respeitantes à prole. Um pouco neste espírito: papá que não vai à escola com determinada frequência, então repercute-se tal no IRS. Mas tudo para cumprir. Ainda: ao nono ano o herdeiro é encaminhado para cursos profissionais dado que o pessoal especializado em tais matérias (professores etc...) consideram mais adequado não prosseguir estudos universitários. O pai insiste, pois, então, que seja por sua conta (cash) e risco... Enfim um pouco neste espírito. Ninguém trabalha neste País sem uma carteira/formação profissional e se houver empresário que não cumpra, então imediatamente para a prisão...

Continuação de boas «vacanssas».

quink644 disse...

Meu caro Zé, faltam-nos muitas coisas, mas em qualquer parte do mundo civilizado o processo de socialização começa pelo menos aos 3 anos, porque é importantíssimo para as crianças, muito cedo, começarem a interagir com os da sua idade e a interiorizarem e acatarem regras. Depois, vem o domínio da fala, da leitura e da escrita e, só depois, poderão vir computadores, bandas largas, gástricas ou seja o que for...
Um abraço

quink644 disse...

Meu caro António, sabes muito bem do que falo, é imprescindível começar cedo o processo de socialização e de vivência escolar.
Porém, o Estado sempre se demitiu, e continua a demitir, dessas funções porque sabe que fica caro, tanto mais caro quanto todos nós sabemos que os resultados são a muito longo prazo e que, por necessidade, mal ou bem, as pessoas não exigem o que deviam do Estado porque seria inútil, não há estruturas suficientes... Há 5 anos e pouco, desloquei-me ao centro educativo não sei das quantas do concelho onde vivo e, depois de me apresentar às senhoras que lá estavam, nossas colegas, indicações sobre o que devia fazer para inscrever o meu filho no ensino pré-primário, a resposta foi clarissíma: ó colega, professor? com um filho de 3 anos? Nem pense nisso, não há... Tem que procurar no privado, posso colocá-lo em lista de espera, mas nunca terá vaga, pois dá-se primeiro prioridade aos mais velhos, aos mais pobres (como se eu algumavez tivesse sido rico)e a escola que estava prevista reforçar a zona ainda não tinha começado a ser construída... Acrescento, ainda não começou...
Palavras para quê? O processo educativo tem de começar o mais cedo possível, esse é o único objectivo válido a perseguir para um futuro e uma sociedade geral um pouco melhor do que aquela onde vivemos...
Um grande abraço

Anónimo disse...

Tenho o grande prazer de vos comunicar que sou contra a escolaridade obrigatória. A reclamação referente à criação de mais jardins de infância só me deixa triste: de facto, parece-me bastante cruel que meninos de 4 anos tenham que estar sujeitos a horários de fábrica( para não falar do patético que é ver a escola a cumprir a função mais estúpida que é a de reproduzir classes sociais.Não me apetece escrever. Mesmo assim, aconselho-os a ler a parábola "O Tigre dos dentes de Sabre" ou coisa que o valha. Está lá tudo... tudo ;-) À Senhora E-ko que até gosta do Isidore Ducasse, tanto quanto eu, confidencio que estou totalmente de acordo com o Ant
onio Pina quando alerta para o perigo do uso determinados termos como "ensino"... ( leram Vigotsky ? ) O conceito de educação tal e qual a vejo descrita aqui causa-me algum mal estar, confesso.Não confundam educação com ensino, por favor. Beijos

quink644 disse...

Nada me agrada mais do que discutir (entenda-se trocar opiniões) sobre educação já que é, creio eu, o assunto a que tenho dedicado a minha vida, fruto de um conjunto de interesses que me levaram a estudar o que estudei e a fazer o que fiz. Não se trata de nada que possamos considerar profissional, uma vez que sempre foi uma questão sobre a qual reflecti muito antes de pensar, sequer, em vir a ser professor.
Posto este intróito, vejamos o meu contraditório… Não devemos esquecer que estou a falar de uma forma geral, no meu entender, a grande maioria da população (95% ?), entre os quais eu me incluo, não tem competência para educar, devidamente, crianças dessas idades. Em seguida, sou da opinião que é imprescindível para eles interagirem com os pares para desenvolverem os seus potenciais sociais e cognitivos. O Homem é um ser social e relacional e é bom que o compreenda desde cedo, sobretudo numa altura em que as coisas vão correndo demasiadamente mal e a uma rapidez perfeitamente inconcebível.
Talvez esteja errado, não posso, agora e aqui, alongar demasiadamente estes argumentos, porém, na sociedade em que vivemos, creio que a frequência de um ensino pré-escolar está ao nível, ou é comparável, a planos nacionais de vacinação…
Creio compreender a renitência de quem escreveu este comentário, desde cedo enformar, castrar, violentar, e tudo o que queiram, as crianças… Pois bem, em qualquer sociedade é a isso que se chama socialização primária e ela é inevitável. Este processo sempre teve uma enormíssima componente repressiva e continuará a ter… De que vale ser feliz dos 3 aos 5/6 se daí resultar uma inadaptação, ou pior adaptação, para o resto da vida?
Quanto à capacidade dos pais de decidirem do que devem ou não fazer, em termos educativos, escolares, o que lhe quiserem chamar; esqueçam, nem sequer comento… Penso que, pelo menos, devem cumprir o que estiver estipulado e com um carácter obrigatório rigorosíssimo, senão correríamos o risco de voltar a um passado do self made man, do homem que começa a trabalhar assim que sabe ler e escrever e faz pela vida… Não creio que resulte e, em Portugal, estou certo que seria catastrófico.

Post scriptum: Este tema é para mim tão importante que não vejo inconveniente nenhum em alargá-lo, aprofundá-lo, republicá-lo ou o que quiserem… inclusivamente alargar a discussão às várias opiniões…

Um abraço

e-ko disse...

caro anónimo,

também eu não gosto da imposição duma escolaridade obrigatória. mas qual é a alternativa? no século IXX as famílias muito abastadas ou aristocráticas organizavam, dentro de suas próprias casas, um ensino à medida do futuro que projectavam para os seus herdeiros. fora disso era, de facto, a não imposição de ensino obrigatório e a multiplicação do analfabetismo de que ainda se sofre neste país...

a escolaridade obrigatória tem tido ao menos o mérito de reduzir progressivamente o trabalho infantil para as classes menos protegidas, por todo o mundo. ainda poucos (talvez 12) anos encontrei três jovens duma mesma família, entre vinte e trinta anos, originários de Tràs-os-Montes, que mal sabiem ler ou escrever e que emigraram para o Luxemburgo, por não terem trabalho na região nem poderem encontrar trabalho nas grandes cidades do litoral, por não terem a escolaridade obrigatória nem saberem, no mínimo, ler escrever e fazer contas. com familiares que já estavam emigrados há alum tempo, lá foram à procura de melhor vida.

tenho mais a dizer, mas volto mais tarde, porque tenho pouco tempo agora.

até logo