segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sócrates não gosta é de sombra...


"O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, afirmou hoje "perceber mal" a criação de convergências à esquerda defendida por Manuel Alegre, salientando que isso "não é pensável sem as forças maiores da esquerda portuguesa".

Eu diria, antes, que este mandarete percebe muito bem… Com este PS, Portugal não precisa para nada de partidos de direita, já que estão mais à direita do que o próprio PSD alguma vez esteve. O PS transformou-se no MPLA português, controla tudo e todos, portanto, cá como em Angola, só haverá democracia quando essa mole imensa encontre alguém que dê um murro na mesa e o fragmente em dois, não diria os de esquerda e os de direita… chegava-me os sérios e os outros, os das negociatas e compadrios.
Há coisas que só não vê quem não quiser ver, Sócrates é o cavaleiro da arrogância porque tem conseguido, por um lado comprar a sua oposição com nomeações e cargos lucrativos e, por outro, silenciando e aniquilando aqueles a quem não consegue ou não têm peso suficiente para ter que o fazer. Este é o esquema clássico do tirano perfeito e, nem nisto, é inovador apenas se limita a copiar a técnica de Salazar, quem não é por mim é contra mim, está à venda? Compra-se. Não se vende? Aniquila-se. Como vêm é facílimo de resumir. Na sua tumba o António das meias solas, o tirano de Santa Comba, deve estar orgulhoso de ter um sucessor à altura, um governante que, finalmente, percebeu como é que se governa em Portugal, sendo forte com os fracos e fraco com os fortes…
O José Eduardo dos Santos português manda, assim, os seus recadinhos… Haverá coragem no poeta ou esta só na poesia se conjuga?
É o que veremos…
Adenda 2: Eis alguns exemplos do que disse retirado apenas de um artigo pequenino do DN e falando só dos não apoiantes incondicionais do inginheiro…
João Cravinho, "exilado" na administração do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento
Ana Gomes, deputada no Parlamento Europeu.
Vitor Ramalho, líder da distrital de Setúbal do PS e presidente do INATEL.
João Soares, deputado e presidente da assembleia parlamentar da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Maria de Belém, deputada e ontem indicada pelo PS para presidir à comissão parlamentar de inquérito ao BPN.
Osvaldo de Castro, presidente da comissão de Assuntos Constitucionais.

5 comentários:

Anónimo disse...

Qualquer comparação entre Sócrates e Salazar, só pode ser mera coincidência. Quanto a mim é um insulto à memória de Salazar, este pelo menos era licenciado em Direito e com nota máxima. Tomara o sócrates ter metade da inteligência dele...

Depois já passaram muitos presidentes, ministros, etc pelo governo. Então porque continuar a bater sempre no mesmo? Querem ver que tb é culpa do Salazar o Sócrates ser 1º ministro?

Mas que falta de imaginação. Já agora cresçam e não votem Sócrates nem PS nas próximas eleições. Ah! E nem pensem em abster-se porque aí teríamos o caso dos Açores, ou seja maioria absoluta do PS por abstenção. E esta hein!?

Vesgo disse...

Acredite Anónimo que, não obstante ser daqueles "parvos" que ainda tem "ideias" e acredita convictamente numa esquerda verdadeira como modelo social, compreendo-o muito bem e não posso deixar de lhe dar razão.
Cumprimentos,

quink644 disse...

Bom, para lá das diferenças óbvias de mérito académico e inteligência penso que ainda se poderia acrescentar eficácia. Salazar nos primeiros tempos conseguiu ser eficaz e controlar a bandalheira económica esocial em que o país vivia, Sócrates não. Contudo, o que se seguiu, a partir da enorme crise mundial que foi a 2ª Guerra, foi que Salazar não conseguiu, desde logo porque não quis, perceber que tinha que mudar a política nacional; seminarista dos quatro costados, via-se como um reitor ad eternum, receando que, depois de ter arrumado a casa, tudo voltasse ao início. A partir daí penso estar tudo explicado, começou a fazer asneira atrás de asneira e a querer tapar uma com outra maior, a repressão...
Contudo, o esquema, o modus operandi, era o que descrevi e, dessa forma, foi minando toda a hierarquia da sociedade portuguesa até ela ficar na sua mão... Penso ser a mesma estratégia de Sócrates, senão veja-se a nomeação de Ana Maria Bettencourt para Presidir ao CNE... Chega? É uma táctica terrível, neste caso, mesmo que por milagre perdesse as eleições, todo o aparelho do estado fica controlado, logo não será recuperável a curto prazo e, mesmo com uma enorme caça às bruxas, será difícil desalojar o sistema que se terá tornado auto imune... Logo, perdurará. Considero este inginheiro (e os amiguinhos) um perigo muito sério para a democracia em Portugal, é uma espécie de vírus, o problema foi ter entrado...

quink644 disse...

Vejam-se as intervenções dos técnicos do PS... um diz, mas ele é vice-presidente no partido, o outro diz ele tem uma ligação emotiva muito forte... A mensagem que querem passar é: Atenção, tu és dos nossos... Resta saber se por debaixo da poesia e do bel canto está uma costela de Humberto Delgado, ele também era dos deles... Pessoalmente, não acredito que haja, se assim não fosse não teria perdido tanto tempo e o PS de Sócrates estaria em muito maus lençóis há muito tempo... No entanto, o Homem é um ser imprevisível, esperemos que a montanha não acabe, como é costume em Portugal, por parir um rato...

Zé Muacho disse...

Este país (dos aeroportos, TGV´s, Luso Pontes e contentores, BPN´s e BPP´s, Felgueiras, Torres, Sá Fernandes e Loureiros, magalhães e popós-eléctricos, Casa Pia (poucos dentro e muitos fora), velhinhas e freiras a serem presas por pequenos delitos enquanto os verdadeiros criminosos são mandados para casa, idosos a morrerem de fome em tugúrios a cair enquanto se distribui apartamentos e dinheiro a rodos por traficantes, drogados e por quem nunca quis e não quer trabalhar, Saúde, Justiça e Educação com os maiores orçamentos da Europa com os resultados que todos sabemos, EDP´s com lucros fabulosos mas que o regulador diz que as tarifas deviam aumentar 30%, Galp´s cujos preços sobem com o aumento do crude mas que quando o mesmo desce o regulador afirma que os preços não baixam porque o que interessa é o preço do produto refinado, BdP´s que a única coisa que vigiam são as suas reformas douradas, etc., etc.,) começa a exalar um fedor superior ao que se sentia nos últimos anos do chamado Estado Novo...

Para a queda do anterior regímen dei algum contributo, pequeno certamente, mas era o que estava ao meu alcance.

Agora que sinto que o actual, de tão podre, com um pequeno empurrão pode ser obrigado a regenerar-se, apetecia-me também fazer alguma coisa.

O quê, não sabia, mas, há uns dias ao ler num blog que o autor sonhava em promover um “golpe-de-estado”, só que para além do medo que tinha da ASAE não sabia como, deu-me o alento de que necessitava.

Golpe-de-estado, logo armas; armas? Armas? Oh diabo, não tenho!

Lembrei-me então de que em tempos muito distantes tinha possuído uma fisga; vai daí, corri para o sótão e comecei e remexer os baús velhos; depois de muito lixo e memórias já esquecidas, voilá, a fisga! Já estava armado!

No entanto a felicidade que me possuiu, cedo de esfumou; soprado o pó, estico as borrachas e, paf!, de ressequidas, partiram! Desilusão, amargura: estava desarmado novamente...

Infeliz, passei dias a tentar encontrar uma solução; pensei, pensei e nada.

(eu sei que devido à vida desregrada que levo, nada condicente com a via para o admirável mundo novo que está em curso, já muitos neurónios fundiram; tal não é de estranhar dado que eu fumo, delicio-me com um bom cognac, bebo vinho às refeições e barro o pão com manteiga, devoro queijos da Serra, Serpa e Azeitão, adoro presunto de Chaves e bons enchidos alentejanos, prefiro cerveja a bebidas light , bebo água sem sabores e, heresia das heresias, não fumo charros nem me drogo e não arranco de empurrão. Perdoem-me, tentem compreender este pobre decadente, que eu prometo ficar longe dos vossos filhos.)

Mas voltando à vaca fria; armas, onde as encontrar?

Atentos ao meu desespero (ou se calhar para se verem livres de mim) alguns amigos disseram: “Eh pá, se queres uma arma vai a uma dessas Quintas das Fontes ou Bairros das Boavistas, que é coisa que lá não falta.”

Felicíssimo, agradecido pela ajuda, comecei a planear a incursão; sim, não se vai a um sítio daqueles sem preparação.

Lembrei-me que há uns tempos atrás, algumas figuras de vulto desta praça, por lá tinham feito uma passeata e tinham regressado vivos e com todos os bens, coisa que nem sempre acontece a outros cidadãos, táxis ou até à polícia. Depois de alguma pesquisa encontrei a solução.

Assim, com uma t-shirt branca na qual tinha pintados dizeres como peace, love, somos todos iguais, black is beautiful (pelo sim pelo não acrescentei também gitanes are very good, too), cravo vermelho na mão, sorriso parvo na cara (tipo António Costa) e assobiando o último rap, destemido por fora mas receoso por dentro, para as ditas Quintas eu fui.

Lá chegado, apesar de estar fardado à maneira, cedo pressenti que algo não estava a correr bem; mimoseado com alguns piropos não muito abonatórios da minha pessoa bem assim como de algumas sugestões do uso que gostariam de fazer de algumas aberturas do meu corpo, apercebi-me então que, levado pelo meu entusiasmo, tinha cometido um erro grave: faltava-me o apoio.

As pessoas gradas e importantes, quando visitam aqueles locais, vão às manadas e com um batalhão de repórteres atrás (aliás só lá vão para aparecer nas TVs e debitar coisas que nem eles acreditam).

Eu estava sozinho, nem uma pequenina Kodak apontada para mim, e a ameaça de passarem das palavras aos actos ia crescendo, sem que ninguém levasse em conta o valor das mensagens que eu orgulhosamente ostentava no peito; com o temor quase pânico, comecei a pensar que isto de querer fazer uma revolução tinha os seus perigos!

Quase já acossado, apavorado, corri para um sítio onde a concentração de BMW e Mercedes topo de gama era maior e junta à qual estava um grupo de nativos que me pareceu ser menos perigoso, gritando: “Meus, mim querer comprar arma!” (não domino muito bem a língua local)

Iniciadas as negociações rapidamente chegámos ao ponto de ajustar a mercadoria que eles podiam disponibilizar (a oferta ia desde mísseis, passando por shot-guns até à singela ponta-e-mola) à minha disponibilidade financeira; na altura, dado que entidades menos bem comportadas têm tido direito a toda a espécie de subsídios, telefonei ao Teixeira dos Santos, mas, não tendo sido bem sucedido (ele disse-me que os pobrezinhos do BPP lhe tinham levado os últimos tostões), acertámos a compra de uma pequena pistola; enfim, rejubilei, o primeiro passo em direcção ao derrube do poder estava dado!

Antes de pedir o salvo-conduto para me poder retirar sem problemas, ao inspeccionar o trabuco que tinha acabado de comprar, constatei que o mesmo não tinha munições: “Oh meus, o que é isto?”

Depois de me explicarem que eu só tinha pedido por uma arma, lá reiniciámos as negociações para que eu pudesse adquirir algumas balas; ao pretender obter pelo menos um carregador cheio, começaram as dificuldades.

Interrogatório cerrado, todos ao mesmo tempo, gritando: “Para que é que queres tanta munição? Quantos são os membros do teu agregado familiar (incluindo a sogra)? Quantos inimigos tens (excluindo os membros do Governo, oposição e toda a classe política)? Queres fazer-nos concorrência?”

Com muito esforço, depois de muito esbracejar para os tentar calar, lá consegui fazer-me ouvir: “Meus, é para dar início a um golpe-de-estado”!

Ao ouvirem tal, o silêncio que se seguiu gelou toda a Quinta e arredores, parecendo que o tempo tinha parado e a terra deixado de rodar; as faces deles empalideceram para rapidamente enrubescerem (na realidade não vi, mas suponho que foi isto que se passou por debaixo da pele); empertigaram-se, fuzilaram-me com os olhos, e o maior deles, qual Adamastor, vociferou: “Ó desgraçado, escória humana, ser abjecto (as palavras não foram bem estas, foi mais para o vernáculo), tu queres destruir este paraíso?”

Eu minguei, encolhi, as cuecas ficaram um bocadinho húmidas; com voz trémula, tentei argumentar, falar dos escândalos, das esperanças desiludidas, bláblá, bláblá, mas quando pronunciei as palavras socialismo e revolução o rugido que se fez ouvir, quase me siderou:

“Ó filho de uma mula sem cabeça (apercebi-me logo que era comigo, não com o inginheiro) então tu não vês que a revolução já está em marcha, que o socialismo está na sua máxima pujança? Olha à volta, burro capado, vês os carros, vês as caixas de multibanco arrombadas, vê as jóias que tenho ao peito, vai ver ao plasmas que tenho em casa, tudo gamado aos ricos para benefício dos pobres; se isto não é socialismo, se isto não é redistribuição da riqueza o que é então?”

Ia abrir a boca para falar, mas atendendo ao desenrolar dos acontecimentos, achei por bem ficar calado; aliás ele nem deixou, agora mais calmo, continuou a arengar:

“Ó filho de um cachorro que até a sarna despreza, és um ignorante que não mereces a classe política que tens! Tu não entendes nada! Porque é que julgas, por exemplo, que se alterou o código penal? Hã, hã, diz lá?”

“Por razões economicist...”, pretendi retorquir...

“Piolho coxo das partes íntimas, nada disso! Incapazes da implantação do socialismo por causa das forças capitalistas do bloqueio (desconfio que este tipo esteve nalgum congresso do PCP ou BE) a nobre classe política decidiu delegar em nós a tarefa da socialização de Portugal! Para que a revolução avance, não podemos ser presos, temos que estar livres! Roubando eles por um lado, nós por outro, somos o garante de uma futura sociedade igualitária sem classes!

Parecendo-me que as águas estavam mais calmas, menos encolhido, mais húmido, baixinho, atrevi-me: “Mas eles não redistribuem; eles comem tudo e não sobra nada.”

“O quê?”, gritou o matulão... mas ficando logo de seguida pensativo.

“Agora vou ter que pensar sobre isso; dá cá a pistola e desaparece daqui, rato de esgoto com hemorróidas (era comigo, não com Jaime Gama).”

Sem dinheiro, sem pistola, com as cuecas em estado lastimoso, apressei-me a obedecer.

Chegado a casa, olhando-me ao espelho, disse para os meus botões (que por acaso era um fecho eclair): “Falhado, como queres iniciar um golpe-de-estado se nem uma arma consegues adquirir”; juro, algumas lágrimas debitei.

Depois das necessárias abluções, retemperadas as forças, sentei-me em frente ao LCD (é menos tentador para os agentes da socialização do que o plasma) para pensar; como para pensar preciso de estímulos inteligentes, liguei nas novelas da TVI (o canal 2 ou os Contemporâneos também me ajudam).

A palavra armas não me saía da cabeça; como conseguir uma... Num dos intervalos das novelas, ao correr canais, deparo-me com um programa a preto e branco no qual um gadelhudo cabeludo, fardado à militar bêbado, exclamava: o voto é a arma do povo!

Qual Arquimedes, mesmo não estando no banho, gritei: Eureka!

Aqui estava o que me faltava para poder levar os meus desígnios em frente: O VOTO!

O voto... mas se o voto é uma arma, como é que a mesma funciona? A minha cabeça fervilha, as orelhas já fumegam, os dentes já me doem de tanto ranger... Como é que aquilo é uma arma?

Não sendo praticante há mais de duas dezenas de anos, a recordação que eu tenho do Voto, é que o mesmo é um pedacinho de papel com uns bonequinhos e quadradinhos impressos no qual é suposto pormos uma cruzinha e depois enterrá-lo numa urna; como não me lembrava de nenhuma guerra, intentona ou agressão com utilização de votos, fui fazer pesquisas nas enciclopédias e até na net ; nada! Virei-me então para aqueles amigos que não falham uma votação e pedi-lhe que esclarecessem!

Eles lá tentaram, mas eu não percebi nada; contaram-me eles que ao votar em determinada força politica em detrimentos de outras, estavam a apoiar quem mais prometia ajudá-los sendo assim o voto como que uma arma, pois que atirava os oponentes para uma espécie de limbo.

Confuso, perguntei: “assim sendo, e tendo os portugueses disparado o voto em todas as direcções por mais de 34 anos como é que estamos todos pior de vida com excepção das classes ditas dirigentes e parasitas que os gravitam?”

Como ninguém me respondeu, lá voltei eu para o meu sofá e telenovelas; triste, acabrunhado, pois que aquilo que eu pensava pudesse ser a minha última tábua de salvação, mesmo que fosse uma arma parecia disparar na direcção errada.

Milhares de horas depois, muitas lágrimas vertidas assistindo aos dramalhões, insidiosamente, uma ideia começou a germinar; durante as minhas recentes pesquisas sobre o voto reparei que os partidos em que poucas pessoas votavam tinham tendência para desaparecer e com eles os políticos que lá se acolhiam; algumas vezes, para sobreviverem iam pedir asilo a outros mais votados; logo, esperto, cabecinha pensadora, concluí:

Político alimenta-se de voto! E político privado de voto fenece e já não tem força para comer mais nada!

Aleluia, os sinos já repicam, tinha a arma que me faltava: a abstenção ou o voto em branco!

Estou convicto que com uma abstenção elevada e/ou um número significativo de votos em branco alguém vai mandar parar o baile e exigir que as cartas sejam dadas de novo; eu sei, já os estou a ouvir, é uma acção perigosa para a democracia (há maior perigo do que o estado a que ela chegou? Até a vergonha já se perdeu)!

Alternativa? Olho, procuro, e só vejo as mesmas caras, com os mesmos vícios e desprezo pelo chamado povo; certamente há, mas as barrigas inchadas, as ancas mais gordas e os cada vez mais recheados sacos das benesses e contas bancárias não deixam ninguém chegar à frente.

Então porque não iniciar uma campanha, junto dos amigos e conhecidos, apelando à abstenção ou voto em branco?

A ser bem sucedida talvez algumas fendas se abram e gente honesta e com vontade de servir, e não de se servir, possa aparecer.

Se nós, vítimas do voto nada fizermos, nada vai mudar!

Cumprimentos,

Zé Muacho