domingo, 10 de agosto de 2008

A formiga e o elefante...




Há, quanto a mim, alguns aspectos que falham aqui... 1º Não se pode levar a sério uma guerra entre a Geórgia e a Rússia; 2º Mikhail Saakashvili, na tentativa de recuperar alguma da popularidade perdida, não hesitou em fazer chacinar o próprio povo, pelo que sai como o criminoso maior deste incidente, pelo que deveria ser, imediatamente, afastado; 3º Não se percebe a necessidade e a estupidez da Rússia em atingir alvos civis, o que acabou por a deixar também ficar muito mal vista neste caso e, finalmente, veremos, e aí sim temos guerra, se este incidente tem alguma extensão ao Irão...
Mais, com a cobertura que foi dada pelo ataque risível e idiota às forças russas, Putin não desejará abrir mão deste incidente sem retirar os seus dividendos, nomeadamente à cobertura que a Geórgia tem dado às repúblicas vizinhas, em grande parte, fomentada pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili. No seu lugar, não ficaria satisfeito com um mero cessar fogo georgiano, até porque o seu fogo não constitui qualquer ameaça para as forças russas, exigiria, no mínimo, uma rendição incondicional, o reconhecimento de culpa, indemnizações de guerra e o afastamento do presidente megalómano e convencido que foi o principal responsável por tudo isto. Se eu penso assim, Putin não só não deixará de pensar nisto, como não perderá a oportunidade que lhe é dada para marcar pontos significativos e exemplares na região.

9 comentários:

Pata Negra disse...

Sobre esta guerra não me pronuncio. Sobre estes líderes não me pronuncio. Permitam-me apenas tomar partido pelos que tombam e sofrem e querem apenas viver em paz! Sejam Ossétias, Geórgias, Rússias, URSSes, os povos querem, antes de tudo, PAZ!
E era só. Um abraço que junto e envio para um mundo distante de pessoas tão iguais a nós.

e-ko disse...

há por aqui muita confusão! a Ossétia e a Abkasia são territórios que pertencem à Geórgia, que como a Chechénia tentam libertar-se dos poderes de que dependem. no caso da Chechénia, os Russos não aceitam tais pretensões, mas aceitam jogar o jogo de apoiar os separatistas pró-russos dos territórios que estão ainda sob tutela da Geórgia, soprando com insistência para as brasas.

é sobretudo um jogo em que Golias, nacionalista e imperialista, em mal de afirmação internacional, apenas pretende esmagar o David que quer pôr alguma ordem nos territórios que ainda estão sob a sua tutela pensando que a comunidade internacional o apoiaria (pois ali tem uma passagem de pipelines que alimentam a sua muito estratégicas necessidade de energia) mas a Europa não tem capacidade, sem os USA, de fazer face à ofensiva da Rússia, e os USA já têm os seus problemas internos somados aos conflitos no Afganistão e no Iraque andando ainda a estudar se não seria oportuno desencadear mais uma guerra contra o Irão.

Saakashvili fez um mau cálculo e a Rússia aproveitou a ocasião para afirmar a sua supremacia e está-se a assistir a uma muito agressiva ofensiva russa na Geórgia, que não responde aos pedidos de parar os ataques e continua a bombardear o território, depois de Gori não param de bombardear a capital georgiana.

joshua disse...

Caro colega, estou mais com a e-ko e em última e derradeira análise com o João Rato.

Neste jogo de xadrez, não me apressaria a pensar os teus pensamentos nem a esperar as respectivas acções consequentes de Putin. Os problemas da emigração-colonização russa que se colocaram às repúblicas do báltico colocam-se ainda mais agudamente aqui e é preciso raciocinar numa escala temporal bem lata, numa sucessão de eventos que não limpa de sangue nenhuma mão sobretudo os detentores da força bruta. Que queixas têm os georgianos dos russos antes e após a época soviética, que deportações, que opressões, que extinções?

É longa a tradição imperialista e expansionista da Rússia por vezes incompreensível. Dêem-lhe somente pretextos e irá para além dos limites. Resta saber se as pretensões soberanistas da Geórgia se justificam ou não à luz da História e do direito internacional e, se sim, como se aplicam.

Avulsamente, deixa que te diga que passei uma madrugada inteira a ler por completo este teu blogue e a descobrir que éramos da trupe do Braganzzza. Há encontros intensos assim devorados numa devoradora curiosidade.

Abraço

PALAVROSSAVRVS REX

Anónimo disse...

Procuro emprego na Equipa deste Blog.

Andamos todos a beber nas mesmas fontes...

quink644 disse...

Eu sei que é difícil, senão impossível, esquecer a história e os ódios e rancores passados, os filhos e pais mortos, o choro e os pesadelos, aquilo que tão bem escreveu o Boris Vian no desertor...
Mas, a única possibilidade, aqui na Palestina,nos Balcãs ou noutro lugar qualquer é tentar esquecer tudo isso e evitar pegar na merda das armas ou bombas e lançar a agressão... Para isso, à falta de se conseguir fazer melhor, pelo menos por agora, é necessário travar os ímpetos e os desejos de protagonismo de tipos como este Saakashvili da Geórgia.
Era isto que eu gostava de começar a ver, isto e, uma vez mais como propõe o Vian, os militares 'dizerem' aos presidentes: se é necessário verter sangue, então força, vão lá verter o vosso...

raivaescondida disse...

Ao julgar a Rússia teremos de julgar a U.E. pelo expansionismo económico ao concordar com a entrada de antidos estados do bloco de leste na comunidade económica europeia, de julgarmos os U.S.A. pelo expansionismo militar ,económico e cultural e a China pelas mesmas razões.
São 3 potentados que não querem perder controle de nada.
Kosovo foi erro dos U.S.A. e da Europa, Iraque foi erros dos mesmos, Tibete foi da china assim como a falta de direitos humanos e os jogos estão lá.
Neste caso o Mikkail foi idiota , estupido, estúpido, pois deve ter pensado no apoio das tropas da Nato e dos USA.
A Rússia aproveitou e, peço desculpas, mas nem os USA, nem a U.E, estão em condições de fazer mais nada a não ser pedir ...
A população é que acaba por ser a baixa maior de toda este imbróglio.
Afinal, a georgia deve estar a um passo de deixar de ser independente.
Viva Mikkail, Condoleza e a U.E., pois as suas ambições terão sido despedaçadas.
Ahhhhhhhhhh, não pertenço ao braganzza, mas lei-o todos os dias assim como o porquemedizem. E parabens .

quink644 disse...

Raivaescondida, mas é mesmo isso que eu tento transmitir... e o fundamental em tudo isto é a cultura/educação dos povos. Penso que devemos caminhar no sentido que nos é sugerido pelo Boris Vian, nesse tema, no sentido em que os governates digam às populações, que são quem combate, que vão combater e elas respondam, simplesmente,vão vocês. Por exemplo, eu, se o Sócrates ou outro qualquer me mandasse ir combater não nem sei com quem eu, e creio que a maioria da população portuguesa não iria...
Por outro lado, tento fazer uma análise fria das coisas, onde tento deixar de fora o que desejava que fosse, para tentar perceber o que é e no que se vai tornar... São duas coisas completamente diferentes...
Vejam o filme: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7554507.stm "The Georgian president runs for cover as he visits a bomb site" e vejam o herói Saakashvili a fugir como um rato daquilo em que lançou o seu povo...
É deprimente...
Um abraço

e-ko disse...

tenho estado a ler coisas que me chegaram por mail que mostram que por tràs da ofensiva georgiana está uma maquinação internacional que se está a jogar na sombra. estão metidos nessa maquinação os USA, Israel, a OTAN e o Soros; a Europa está a esbracejar para tentar por um termo ao conflito mas vai ser levada na enchurrada... Os militares georgianos que têm estado no Iraque e que são a terceira força internacional aí presente, estão a ser levados de volta à Georgia em aviões americanos e umas semanas antes do início do conflito as tropas georgianas foram treinadas por americanos e israelitas.

não é impossível que seja também uma forma inviesada para tomar posições estratégicas contra o Irão e barrando a passagem à Rússia.

parece inacreditável mas plausível se pensarmos bem. ficaremos a ver melhor como se definem as coisas nas próximas 48 horas.

numa rádio americana, o senador Ron Paul fez um aviso dum próximo ataque ilegal dos USA contra o Irão.

antónio pina disse...

Por favor, vejam o mapa político da europa em meados do sec. xviii. Vão ficar surpreendidos. Até parece que estamos a voltar atrás. Atenção ao próximo episódio da telenovela europeia: a UE, a ucrânia e a rússia. Acreditem, vai ser de «estalo»! Votos de continuação de augustas férias tesas.