sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A bola de neve georgiana...




A falta de tacto e a ausência de previsão das consequências subsequentes tem sido uma constante que nos vai, cada vez mais, surpreendendo no caso da Geórgia. Agora, surge um novo episódio o presidente (?) Eduard Kokoiti, da Ossétia do Sul, não quer o regresso dos georgianos ao seu território, o qual, para todos os efeitos, parece que ainda pertence à Geórgia… Saakashvili foi acordar um vespeiro adormecido do qual ou não se apercebeu das consequências, e aí foi de uma leviandade sem limites, ou, então, já as esperava e pensava (ou alguém o convenceu disso) que estava ao abrigo do grande chapéu-de-sol protector da Nato e da EU…
Puro engano, nem tinha uma coisa nem a outra, apenas a ambição de as ter, agora, fruto dessa ambição desmedida, parece começar a perceber-se que vai acabar por perder quer uma coisa quer outra e, ainda, tudo parece indicar, ter perdido o seu frágil poder militar e irá perder partes significativas do seu território, uma vez que estes se reforçaram militarmente, não só pelo saque ao material abandonado como, também, pela perda dos principais efectivos materiais georgianos.
Internacionalmente, conseguiram abrir um frente a frente entre a Rússia e o ocidente, do qual só os russos parecem poder tirar dividendos, já que apenas estes vêem sair reforçadas as suas posições, não só na área como no próprio xadrez internacional. Apagados, também eles aparentemente adormecidos, ressurgem agora com um Putin extremamente decidido a reerguer a velha Rússia e a devolver-lhe o prestígio que, por alguns anos parecera perder. Como no velho mito da caixa de Pandora, temos visto sair cada vez mais coisas deste incidente, só nos resta ir esperando para ver o que vai restar no fim…

14 comentários:

Joana Dalila Santos disse...

Ou esperar para que o fim esteja próximo.

e-ko disse...

não é uma bola de neve é uma bola de lama! estão todos atolados! os ódios nacionalistas devem ter mais peso nessas estórias do que o direito aos regressos...

o comentário deixado no post anterior:

os desgovernantes deste "mundo" fazem e desfazem-se em conflitos e depois são as organizações humanitárias que apanham os destroços... nada de novo sob o astro rei! até as mentiras já são velhas! sempre as mesmas e sempre a mesma desinformação!

entre Putin e o seu duplo, Bush & Cia e o caniche georgiano não há muita diferença, apenas o último se revelou muito estúpido porque muito imprudente por não ter os meios de "pagar" a operação e esperam depois enrrolados na bandeira europeia que os bombeiros incendiários apagassem o fogo que ajudaram a acender!

quink644 disse...

Sejam bem vindas...
Joana, não creio que o fim esteja próximo, não o fim desta ópera bufa, mas o fim das consequências libertadas por ela...
e-ko, o problema dos ódios´nacionalistas, etnicos e por aí fora são terrivelmente difíceis de erradicar e os cães grandes valem-se disso...
Sintetizando, parece-me queo Obikuelo georgiano foi burro, cobarde e que continua a ser um incendiário que só se interessa por arranjar confusão... Que podia ele querer, um conflito da Nato com a Rússia por causa dum marmelo como el? Já bem bastam os estragos que ele provocou ao acordar o ninho de vesperas e o urso adormecido, do velho puro e duro nacionalismo russo do Putin... O homemjá se devia ter calado, já fez asneiras que cheguem... Quanto aos americanos que moral têm para dizer seja o que for? Esses e os israelitas são os últimos a poderem falar...

e-ko disse...

creio já o ter dito, pelo que tenho vindo a saber e que os médias não abordam porque são cobardes ou ignorantes, penso que os USA e MacCain em particular, por razões longas a explicar num comentário, e os israelitas, levaram o caniche georgiano a avançar para este conflito, por várias razões, deixando a Geórgia na desordem em que está e sem estados de alma... deitaram barro à parede, talvez como manobra de diversão, porque há nestes últimos dias grande azáfama de navios americanos do lado do Irão e já um senador americano declarou a uma rádio que o governo americano poderia estar a preparar-se para atacar o Irão na ilegalidade (depois explico melhor)... desta forma, também puderam medir as capacidades bélicas da Rússia que como já tinha dito, têm sido subestimadas. não?

quink644 disse...

Na maior parte das vezes, detesto ter razão… Se tiveres o cuidado de ler os dois posts que indico, poderás ver que tudo vai no sentido que eu avançava. Penso que correu mal aos estrategas americanos, pois, como rata velha que é, o Putin não foi na conversa e reforçou a zona do Cáucaso, não se dispersando para Este. Porém, por entre estas confusões todas, há um separar de zonas de influência, por um lado o Irão que, repito, ninguém quer ver armado com armas nucleares e, por outro, uma certa moeda de troca que poderá constituir a atitude russa face à Geórgia… A arquitectura é qualquer coisa como isto: uma mão tapa a outra. Os russos controlam o Cáucaso e revitalizam, animicamente, o seu vigor político nacionalista para consumo, sobretudo, interno e, por seu lado, aproveitando todas estas diversões, os JO para a China e o Cáucaso para a Rússia, alguém trata do problema do Irão… Faz-se um pequeno acordo de não ingerência com a China, sobre o Tibete, a Coreia do Norte e, quem sabe, Taiwan e, com a Rússia, um outro que trava o alargamento da Nato a países como a Geórgia, Ucrânia, Bielorrússia e outros que tais e tudo se resolve a contento. Estarei errado? Veremos…
Bjs

e-ko disse...

poderia ser assim, mas é ainda mais complicado... estás a esquecer os interesses dos europeus e os de Israel... e sem contar que a Rússia não pretende apenas ficar a chupar no rebuçado caucasiano... também eles estão de olho, com os chineses, no que se está a passar no médio oriente e no Irão em particular!

o xadrês do jogo internacional é cada vez mais apertado e os russos não querem perder posição nem pitada!

quink644 disse...

e-ko, não gosto de te contrariar, no entanto, deixa-me dizer-te, e cito-te, a ti e a Eclesiates, que não há nada de novo debaixo do Sol... Sempre se jogou e jogará com 32 peças e 64 espaços... ou seja, haverá uma cedência aqui, um sacrifício de peça ali, para tudo se resolver numa final de peões... Os jogadores de xadrez pensam assim, esta jogada é agora e prevêem 7 ou 8 jogadas à frente, com as diversas possibilidades... porém, sabem que, a seguir, dê vitória, derrota ou empate, vira-se o tabuleiro e o jogo continua. De facto, a vida, a história, o mundo é assim, jogos ininterruptos de xadrez, mas quem os joga não perde nada e volta a jogar, as peças é que são mortas, comidas e arrumadas para voltar a colocar. A coisa não vai fugir muito disto...

Anónimo disse...

O presidente da Geórgia não podia contar com europeus transidos de medo. Abriu-se a caixa de pandora? o problema não é abrir-se, mas a sua existência! Enquanto permitirmos que existam caixas de pandora e morrermos de medo com a sua abertura, ninguém estará seguro. É fácil e cómodo, atribuir culpas aos derrotados: dizem os sensatos que não se brinca com caixas de pandora e estar com os vencedores é partilhar a vitória.

joshua disse...

Na verdade, colega, não publiquei os comentários ofensivos a que aludo na minha posta, censurei-os.

E tens razão, de esse ponto de vista não existem porque ninguém mais os pôde ler. Só existiram para mim.

Aproveito para me congratular com o teu trabalho aqui e felicito-te pela coerência do teu ponto de vista diverso do meu, nesta matéria.

Retribuo do coração a tua simpática amizade.

PALAVROSSAVRVS REX

quink644 disse...

anónimo 3.23
A meu ver, o problema é que não conseguimos evitar a existência dessas caixas, de que aliás muitos se servem e fomentam. Não se trata, do meu ponto de vista de atribuir culpas aos derrotados, mas sim aos imprudentes e aos que deixaram os interesses do seu povo num lugar muito secundário relativamente a uma pretensa 'vã glória de mandar' e de protagonizar...
Aqui, nem em qualquer guerra não creio que se deva falar de vitória, vitória seria não ter sido aberto o conflito.

quink644 disse...

Joshua, obrigado pelas tuas palavras, vamos continuar

Jaime Dinis disse...

Atento a estas análises, permite-me, tipo Nuno Rogeiro e, quiçá, Marcelo Rebelo de Sousa, fica-me, grosso modo, a citação já nesta página de Eclesiates "não há nada de novo debaixo do Sol".
Nem em Portugal...
A mim, o que me continua a ocupar os neurónios, provavelmente por não serem muitos, é aquilo que me farpa a pele no quotidiano: A realidade Tuga.
O Resto? São novelas que por serem novelas são tão efémeras quanto o futebol, os mísseis de Cuba ou os MacCain. Assim, estou certo, o tempo ditará.
Naturalmente, respeito-te.
Contudo, entristece-me sentir nestas retóricas distanciamento da nossa crise económico-social, da nossa miséria...
Onde também se joga o tal xadrez...
Viva o Engenheiro!...

quink644 disse...

Meu bom Jaime, compreendo ou penso compreender o teu comentário... No entanto, discordo parcialmente dele. Em primeiro, porque este assunto vai acabar por ter consequências para nós e para todos os que andam por cima da bola azul que fita, à vez, o astro rei, pois mesmo o Sol, que quando nasce é para todos, só o é para metade de cada vez... quanto mais o resto...
Em segundo, no que tem de inultrapassável essa tua crítica, sigo Wittgenstein no 'Tratactus', sobre aquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio... A nossa realidade lusa começa a fazer parte do inefável, sendo-me, cada vez mais, complicado compreender a enormíssima maioria daqueles que me rodeiam... Contudo, compreendo a tua preocupação e vou tentar, dentro das minhas modestíssimas capacidades, fazer-te a vontade...
Um abraço

Jaime Dinis disse...

Compreendeste muito bem o meu comentário.
Sobre a tua citação, não posso estar mais de acordo. Partindo desta, ocorre-me salientar: Todos somos ignorantes, só que em matérias diferentes, logo, o ignorante é aquele que domina menos (ou nenhuma) matérias que os demais;
A arrogância, contrariamente ao que se defende mesmo em meios académicos, é característica de quem não sabe e não de quem efectivamente sabe. Temos o célebre exemplo Português do “ não tenho duvidas e raramente me engano”.
Pessoalmente, tento seguir à risca o dizer da sabedoria popular (espero que já a tenhas mais em conta!) que nos recomenda termos duas orelhas e uma boca para ouvirmos, com atenção, o dobro daquilo que falamos.
Quanto à influência cá no Burgo da geopolítica mundial, tanto quanto me lembro, sempre existiu desde a fundação da nação. E de que maneira!
Acredita que sinto-me aliviado com o teu esclarecimento porque, por momentos, deduzi que escrevesses sobre aquilo que a comunicação social e os seus bastidores querem que escrevas…
Abraço grande