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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Mais uma confusão...



A visita de Condolleezza Rice a Portugal deve tratar-se de mais um pequeno lapso geográfico dos americanos… Devem ter pensado que Portugal era no Norte de África, por isso, sugeria a José Sócrates e aos altos dignitários que vão receber essa trupe estadunidense (como se penso que se deve dizer agora com o novo acordo ortográfico) que se apresentem com turbantes, barbas postiças e vestes magrebinas, não vá a senhora dar conta do erro e ir-se embora sem lhes falar.


Já que eles cá estão, poderá tentar impingir-lhe o Magalhães, as suas ideias peregrinas sobre a educação (CNO, profissionais, regime de co-docência em separado, etc) e, sobretudo, perguntar-lhe discretamente como é que evitam, lá nas Américas, o roubo às bombas de gasolina, bancos e multibancos. Ah! Não esquecer de oferecer um planisfério com Portugal marcado a vermelho, evitar levá-la ao Chiado, sobretudo à Ana Salazar, porque aquilo está cheio de pedintes e dizer que se está de acordo com o ataque ao Irão e a tudo o que eles quiserem…
  • post scriptum: não esquecer de oferecer o procurador da Anadia para ir trabalhar para Guantanamo...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mais Geórgia, menos juízo...



Cada vez me cansa mais ler ou ouvir as baboseiras emanadas por qualquer cloaca do eixo do bem, dos dentro da lei. Este desabafo vem a propósito das palavras dessa coisa que dá pelo nome de Condolezza Rice, espécie de Bush de saias em versão colorida, e que vem dizer que os maus estão a agir, uma vez mais, fora da lei no conflito da Geórgia… (o quê? Quem é que disse isso?) Para além disto, agem de forma absolutamente desapropriada num estado vizinho; o que nos legitima supor que se for num estado não vizinho, sei lá, se fosse no Afeganistão, Iraque, Cuba ou em outro lado qualquer, as normas de conduta já poderiam ser diferentes… De facto, é assim que pensa e age essa gente representada pela Cruela Colorida, numa conversa que começa a conseguir irritar-me tanto como a do Alberto João Jardim.

Curiosamente, ou talvez não, estão a levar a Europa a reboque; esfregando os olhos e parecendo não ver, quando olham para uns lados, e tudo vendo quando olham para outro… Até os suecos, esses bebedores de leite esquisitos até mais não, se esquecem de ter juízo e olharem, lá do longe, de uma forma mais aberta para o mundo…
As coisas animam-se ainda mais com a visita e aproximação do presidente sírio à Rússia e à perspectiva de um entendimento entre os dois países para a instalação de bases de mísseis russos na Síria… Quem semeia ventos, colhe tempestades…

domingo, 17 de agosto de 2008

Chapéus de Sol? Só nas zonas autorizadas...



Logo após ter sabido do ataque georgiano às forças russas convenci-me, e escrevi-o aqui, que Putin não iria abrir mão de retirar deste incidente todas as vantagens possíveis. Por isso, sempre tenho considerado Mikhail Saakashvili como um imprudente e um arrivista megalómano, marioneta não sei de quem, com uma verborreia tão escorreita que só a sua cobardia parece superar… De resto, também aqui, mostrei as imagens do bem falante galaró que, ao ouvir um pequeno zumbido, foge com a maior valentia, velocidade e inutilidade para debaixo das saias da mãe, no caso uma série de guarda costas completamente assustados e desnorteados que me pareceram, eles próprios, mais perigosos para si e para quem protegem, do que qualquer atacante… Faz-me lembrar a letra de uma música dos Trust (infelizmente indisponível no You Tube) intitulada Mr. Comédie, dedicada ao ayatollah Komeni que vos passo a citar:
C'est un peu facile de dicter des messages
Quand on est au chaud à l'abri des assauts.
Pendant que tout un peuple criait "démission"
Et tombait sous les balles. (…)
Agora, creio que, apesar das palavras daqui e dali, a Geórgia acabou por deitar tudo a perder… A sombra do chapéu-de-sol da Nato não chega ali e foi precisamente isso que Putin quis fazer notar. Quando outras figuras, como a chanceler alemã, ainda insistem nesse tema é apenas fogo de vista, para além disso, a entrada de novos membros para a Nato tem de ter a concordância dos já signatários e quem quer hoje assinar com a Geórgia e com o monsieur comédie (desculpem Sakashvilli, mas como rima na mesma…), um acordo de ajuda e intervenção militar em caso de agressão de países terceiros? Quem nos diz que o homem, caso se aguente, não repete a mesma frescura? Depois, o sinal da Rússia foi claro: não queremos Estados como estes na Nato, aliás, se pensarmos bem, que sentido faz hoje em dia a Nato, se não se pensar numa guerra contra a Rússia ou a China e isso é impensável para mentes saudáveis…
É apenas isto que eu gostaria de perguntar, não se apagam fogueiras atirando gasolina para cima delas, nem se melhoram as relações com os vizinhos do lado reforçando o muro do quintal com arame farpado electrificado e comprando dois pastores alemães… Ora, é exactamente isso que os americanos, alguns europeus e outros, que querem fazer de conta que já o são, estão a fazer. Não me parece o caminho a seguir.

sábado, 12 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ainda e sempre os mísseis…



Ao analisar-se este tipo de notícias e de argumentos cremos que, para o fazermos com algum rigor, é necessária a presença ao nosso lado de um mapa da região. Ora, efectivamente, a Rússia tem razão, já que não existem a leste o que se possa designar por estados párias, mas tão só a Bielorrússia, a Ucrânia e a Rússia… Nessa medida, a Turquia, a Grécia e a Itália estão numa posição muito mais privilegiada e até exposta do que propriamente a República Checa e a Polónia, em que não se vislumbra, para o efeito, qualquer interesse e, aliás, se o houvesse, este já teria sido divulgado e explicado, o que em bom rigor não seria preciso porque facilmente se perceberia.
O que leva, pois, os EUA a quererem colocar um escudo anti-míssil tão a Norte é, para além da pressão do seu lobby armamentista, de facto, um retrocesso no processo de desanuviamento iniciado com a queda do muro de Berlim, mas e porquê? Qual o interesse de semear radares e anti-mísseis pela Europa de Leste? Obviamente que directamente penso que nenhum, mas, se voltarmos a olhar para o mapa, reparamos que a Rússia, se quiser responder ao guarnecimento militar desses dois países, terá que a perder a Sul, nos territórios entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, onde nunca deixou de ter problemas e que é uma zona de grande interesse para os EUA já que é a zona mais importante para o controle da rota do petróleo do Mar Cáspio. Portanto, parece-me que temos aqui um gato escondido, com o rabo de fora…

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Só resta saber quem e quando…


A história tem-nos mostrado que Israel, nos seus sessenta anos, apenas tem sobrevivido garças ao seu poderio militar, aos seus serviços de informação e à sua aliança com os EUA, fruto do enorme poder que o lobby judaico detém. Nos últimos dias, temos assistido a um gradual aumento de exibição de poder militar por parte do Irão e, estranhamente, Israel também o fez, já que o seu modo natural de agir é atacar primeiro e avisar depois, desde logo porque o seu espaço físico não lhe permite outro tipo de guerras que não sejam ofensivas, uma vez que não tem para onde recuar. Se analisarmos a situação na região, temos a Síria, que não tem reagido aos ataques preventivos de Israel, o Iraque, que se encontra invadido e em guerra civil, o Egipto, que está muito mais preocupado no estabelecimento de boas relações com o Ocidente, a Jordânia, que como habitualmente não tem qualquer peso e o resto dos países árabes que, encabeçados pela Arábia Saudita, não só temem, talvez mais do que todos o Irão, como sabem que a sua segurança está nas mãos dos EUA e, ironia das ironias, do próprio estado de Israel. Olha-se para o mapa e não se vê mais nada, já que na própria Líbia, Kadafy anda a dar palmadinhas nas costas de Sarkozy.
Para além do que foi exposto, ninguém parece estar a ver com bons olhos o desenvolvimento dos mísseis Shahab, nomeadamente a versão 5 que, com um raio de acção de 6000Km, será capaz de atingir todas as capitais europeias, e qual seria o estado europeu que gostaria ver isso acontecer… Ainda por cima, se aliarmos a tudo isso a continuação do desenvolvimento do seu programa nuclear, o panorama torna-se negro. Mais, se analisarmos friamente as coisas, o Irão não está sob ameaça de ninguém, já que o seu arqui-rival Iraque se encontra a ferro e fogo. Logo, se não é para se defender, para que se quer um exército de um milhão de homens e um investimento colossal em armas senão para atacar? É esta questão principal que devemos colocar… A outra, e não menos importante, é a de saber quem e quando vai fazer o trabalho sujo, se Israel se os EUA.