quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Já não metem medo...



Associações de Oficiais das Forças Armadas e de Sargentos subscrevem alerta de Loureiro dos Santos.

Esclareçamos algumas coisas… os militares foram determinantes na passagem para a democracia, mas já não são. Logo, tornaram-se descartáveis e, como os professores, funcionários da saúde, e todos os servidores do estado que não geram receita, tornaram-se, também eles um alvo a abater. É triste mas é verdade… Mas mais, como todos os outros, sobretudo os professores, deixaram as coisas irem longe demais e agora não à volta a dar-lhe…
Para além do exposto, os militares, hoje, não são o que eram há trinta e tal anos atrás, homens vividos na guerra e, por isso, habituados a ela e determinados no que faziam. Para mais contavam e contaram com a população que estava à sua espera, os tempos eram outros… Se fosse hoje, à hora do jogo as pessoas desmobilizavam, não das ruas, mas dos cafés, que seria o máximo a que se deslocariam e esperavam que a polícia interviesse e mandasse a meia dúzia de oficiais e sargentos que os afrontassem… Praças não haveria e, se os houvesse, não saberiam o que fazer pois, na sua esmagadora maioria não sabe utilizar armas nem está para se maçar.
O velho general manda uma mensagem corporativa mas seca, já não colhe, já não assusta ninguém, deixaram-se pisar tempo de mais. Agora, como os outros funcionários de que falei, pouco mais são do que tapetes…

5 comentários:

Alexandre Corrupto disse...

se não lhes tivessem dado tudo de uma vez depois do 25 de Abril, não se queixavam tanto agora.

bom post.

Joaquim Coelho disse...

Pois é, estão a criar cidadãos frouxos e um país frouxo, onde ganham os ladrões.
Cortam direitos aos militares, últimos garantes dos valores patrióticos, da ética democrática e da coesão nacional; formam juízes de nota zero, mais incompetentes do que os políticos; criam leis com garantias de impunidade aos ladrões e corruptos; investigam e prendem polícias por cumprirem o dever; afrontam os professores, dando liberdade aos alunos para insultarem e agredirem os mestres.
Vou fugir deste país de frouxos, onde até caparam os generais; vou outra vez para a ilha!

Vesgo disse...

... Se calhar há males que vêm por bem! Deixa que os continuem a tratar mal e a humilhá-los. Não foi também por isso que se revoltaram em Abril de 1974?
Ao longo da nossa história, quando é preciso, eles avançam ao lado do povo. E, pelo andar da carruagem, não há-de tardar em se revoltarem de novo.
Neste preciso momento, já têm razões de chega e de sobra para o fazerem.
Dá só um tempinho ao tempo...

Kapitão Kaus disse...

E para que precisamos nós de militares?
Para defender a Pátria? Qual Pátria? Aquela que não respeita nada nem ninguém, e que obriga os seus jovens a procurar, no estrangeiro, o seu ganha-pão porque diz que não tem recursos para eles?

E defender o quê?
Com que meios?

Alguém tem dúvidas que, em caso de invasão, o país capitularia ao fim de 2 horas?

Não seria muito mais inteligente utilizar esses meios e recursos para o bem colectivo? Combater incêndios, combater o tráfico, combater a criminalidade?

Agora, defender a Pátria e a Ordem Democrática?!???

Andamos todos a brincar, sim senhor! E a fingir que não vemos o que está debaixo do nosso nariz!

Haja coragem e fechem-se as portas dessa coisa que dá pelo nome de forças armadas!

PARREIRA disse...

No Publico, o general Loureiro dos Santos dá a conhecer a insatisfação que grassa entre os ramos da forças armadas.Esta deve-se a diversas situações com as quais os militares se sentem indignados nomeadamente a desprestigiação da profissão aos olhos da opinião publica, dos constantes atropelos por parte do estado a dignidade militar e as constantes humilhações sofridas pelos homens de farda.Recomendo leitura atenta do artigo.
Aqui há uns meses o meu caríssimo amigo e co-blogger eddie felson escreveu um post no qual dava conta de uma entrevista do também general Garcia Leandro,na qual este avisava da crescente insatisfação geral na sociedade portuguesa.
Loureiro dos Santos vai mais longe.Neste caso a insatisfação não é da sociedade é dos militares, insatisfação perante a forma como são tratados pelo regime em vigor, que segundo as palavras do general "eles ajudaram a construir".
Não quer isto dizer que os militares se preparam para o destruir, longe disso não leio a entrevista como uma ameaça nem considero que seja um cenário previsível qualquer espécie de golpe militar. Só acho interessante a maneira como o general se refere a situação, ele diz que a insatisfação se faz notar, não só nas altas chefias, mas também, nas patentes mais baixas, capitães incluídos...
Um militar assiste á dificuldade que os estropiados de guerra têm em obter apoios do estado, assiste depois a um inútil, como os há tantos por ai espalhados, que, tendo exercido um qualquer cargo governativo por 8 anos leva para casa uma principesca pensão vitalícia do estado.Assiste depois a perda de regalias e direitos ao mesmo tempo que vê o governo a ser cheio de assessores, directores gerais , etc que apresentam como único curriculum o cartão do partido.Assistem ainda a deterioração do material militar, ao mesmo tempo que sai na comunicação social, de forma ridiculamente tímida e a medo, as centenas de milhões de euros pagos pelo estado a empresas privadas para "estudos", que ,em 90% das vezes, só servem para enriquecer a empresa que os realizou, empresa essa que, pasme-se,é propriedade de alguém com um cartão da cor certa.
Como os militares estamos todos, os que nos preocupamos, em vão, com a situação do pais em que vivemos.Isto realmente está mau, cada vez pior, mas, ao contrario dos militares, nós não temos quartéis cheios de espingardas obsoletas, que, não obstante, disparam.
Uma situação a ter em conta, digo eu, por quem de direito, há um limite máximo de humilhação que uma pessoa suporta e este governo, ao que me parece, está a esticar a corda.